terça-feira, maio 29, 2007

Viajando com os Tuaregues no Sahara, Líbia

Os qasr, celeiros fortifcados
Na estrada de Tripoli para sudoeste, a caminho de Gadamés, passamos por dois celeiros fortifica
dos muito interessantes.
Qasr Al Haj, o maior celeiro da Líbia, data do séc XII, e é um belo exemplo de arquitectura berbere, de planta circular. Servia para conservar e para proteger as reservas de alimentos da população da aldeia contígua.
Cada família possuía uma dispensa onde armazenava o aze
ite, em ânforas, e o cereal em células balizadas por madeiras.
Deambulei pelas ruínas da aldeia em r
edor onde muitas habitações ainda possuem cobertura.
O qasr tem 114 despensas com portas de madeira de tamareira, quatro pisos, onde se guardavam principalmente azeite em ânforas,
trigo e cevada. Deixou de ser usado em 2000.
Na entrada tem uma exposição muito interessante de uten
sílios antigos utilizados em casa e na cozinha, no trabalho agrícola e na guerra ou na caça.
A gestão do celeiro era realizad
a por um “secretário” que era a única pessoa autorizada a entrar no celeiro e a manusear os víveres.
O celeiro de Nalut, mais adiante na estrada
, situa-se num alto à beira de um promontório e está circundado pelas ruínas da antiga aldeia.
Esta região foi muito rica na produção de azeite e por isso possui dois lagares no centro da aldeia antiga, um dos quais activo até ao final do séc XX e quase intacto. A aldeia antiga está em ruínas, mas as suas três pequenas mesquitas estão conservadas. A mais antiga, reconstruída no séc XIV, tem curiosas inscrições em alto relevo nas paredes e nos tectos. Uma delas, um pé descalço, adverte os fiéis de que têm de entrar descalços.
O celeiro fortificado tem uma inscrição que indica ter
sido reconstruído no séc XIII. Tem uma planta irregular próximo do quadrangular, e o interior das muralhas de adobe e de pedra parece um bairro habitacional onde se circula em vielas muito estreitas subindo e descendo.
Possui 400 despensas, cada uma com reservatórios para cereal e grandes ânforas para azeite. Para subir-se aos celeiros dos níveis superiores estão cravadas no adobe pedaços de rocha protuberantes que servem de degraus. No topo dos edifícios sobressaem cotos de madeira de tamareira onde se pendurava uma roldana e de que se içavam as cargas.

Ghadamés

Junto à fronteira com a Argélia e a Tunísia, situa-se Ghadamés. Foi desde sempre um oásis de importância estratégica na rota
das grandes caravanas de dromedários que atravessavam o deserto provindas do Niger e do Mali e que se dirigiam para a costa. Foi durante séculos uma das mais importantes cidades caravaneiras de todo o Sahara aonde chegavam, vindos do sul, escravos, metais preciosos, marfim, sal, tecidos, especiarias, perfumes, etc.
Os romanos e os bizantinos que a dominaram já entendiam a importância da sua situação.
A cidade antiga é um ass
ombro de encanto e de surpresa: parece uma cidade subterrânea, mas não é! Estima-se que foi fundada no séc XIII por tribos berberes. Está envolta em muralhas, e as habitações de dois pisos encontram-se amalgamadas umas às outras ao longo de um labirinto de vielas cobertas onde se caminha longamente na penumbra.
O ambiente é
enigmático e insólito, e ao mesmo tempo belo por que se evolui ao longo de diversos tons de sombra desde a quase-escuridão à claridade.
A
cidade divide-se em dois bairros habitados cada qual por uma tribo, estas dando origem a sete grandes famílias. Por isso há sete vielas principais e o mesmo número de portões de entrada na cidade, mesquitas, escolas e de pracetas.
A arquite
ctura desta cidade está concebida para se suportar os quase 50ºC no verão: construção em adobe, poços de ventilação, pequenas aberturas para o exterior nos tectos.
Perto de cada mesquita a
s vielas abrem-se numa pequena praceta, um local de encontro com bancadas largas. Ainda hoje os anciãos vestidos de jelabas e de óculos com vidros espessos aí se sentam esperando pela companhia de alguém conhecido.
A cidade foi mand
ada evacuar pelo Estado que quis impor a modernidade e construíu outra ao lado. Infelizmente as novas casas não estão adaptadas aos rigores do verão! Todos os antigos moradores mantêm a propriedade das suas casas e muitos estão a restaurá-las visando um futuro benefício no âmbito do turismo pois a cidade está classificada como Património Mundial pela Unesco. Visitei casas em estado de abandono e apreciei as decorações antigas nas paredes, e subi aos terraços.
Todas as hab
itações têm um terraço pois a luz é recebida por uma abertura na cobertura.
O terraço é um espaço reservado à mulher, é o seu espaço de convívio com a vizinhas pois nã
o pode saír à rua ou ter contacto com homens que não são familiares.
O guia mostrou-me
como um homem e uma mulher batem à porta de uma casa de forma diferente para se fazerem anunciar. Se um homem batesse à porta e ela estivesse só, não poderia abri-la.
Também me mo
strou as decorações nas portas de famílias que tinham viajado para Meca para cumprir as suas obrigações religiosas: inúmeros pequenos pedaços de pano verdes e vermelhos pregados à porta.
Dentro das muralhas ainda há espaço para hortas, capoeiras e pequenos currais de cabras protegidos do sol implacável pela sombra de conjuntos de tamareiras.
Frente à entra
da principal da cidade está uma grande piscina de água transparente que provém de nascente e que é canalizada para todo o burgo por canais subterrâneos.
Junto de cada mesquita passa um canal e existem recint
os destinados às abluções antes da reza.

Os lagos U
bari
Surpreendentemente, as estradas
na Líbia têm um bom piso e permitem velocidades “elevadas”. Percorremos os cerca de 1000 km de Gadamés a Ubari, passando por Sebha, em perto de 8h.
Os lagos Ubari situam-se no meio do areal imenso e
estão envolvidos por grandes dunas. Antigamente eram uns dez, e hoje resistem três. Ao contrário do que se possa imaginar, o deserto interior da Líbia possui reservas subterrâneas de água doce em quantidades imensas. São reservas acumuladas ao longo de milhões de anos e cujos lençóis estão a poucos metros da superfície.
Não há dúvida
de que os oásis na região são muito férteis e verdejantes: observei muitas hortas no meio dos palmeirais e largos campos de trigo.
Os lagos Ubari eram habitados por um povo sedentá
rio que viveu em grande pobreza e subdesenvolvimento por ter escassas fontes de alimento. No lagos pescava uma artémia, um marisco do tamanho de uma pulga de praia, que era a base da sua alimentação.
Há vinte anos, os lagos começaram a conter mais sal do
que o suportável e estes habitantes tiveram de ser realojados.
A visão dos lagos no meio das areia
s é insólita. O mais longo tem cerca de 500m de comprido, e estão marginados de vegetação.
Restam ruínas de ha
bitações, bancadas de secagem dos crustáceos, algum poço tapado de areia, uma mesquita e tufos dispersos de tamarindos e de tamareiras, estas com metade do tronco mergulhado na areia.

O maciço de Maghidet
Para uma caminhada no deserto, procurava uma região pouco frequentada e tranquila. A Líbia ainda não tem muito turismo, mas todos os viajantes utilizam um jeep e vão querer cruzar as dunas, por que é excitante. O incrível é que estes trilhos demoram meses a desaparecer e isso reduz a sensação de isolamento. Um trilho que observo hoje parece ter sido sulcado horas atrás, mas provavelmente foi-o há semanas ou há meses, se não tiver havido grandes vendavais!
Assim, seleccionei o maciço de Maguidet, pouco conhecido entre os operadores de viagens.
Situa-se a sul de Ghat sobre a fronteira com a Argélia, no sudoeste do País.
Para realizarmos a caminhada precisávamos
de dromedários. Assim trilhámos uma região onde nos tinham dito que os pastos eram bons e onde permaneciam algumas famílias de nómadas.
Na realid
ade tinha bastante vegetação de giestas e de outros arbustos rasteiros. Mas, os nómadas não se encontravam perto dos animais e isso obrigou-nos a pesquisar vários quilómetros em redor.
Curiosamente, o nos
so motorista, o Mansoor, encontrou o seu dromedário fêmea favorito que acariciou longamente com emoção e a quem ofereceu pão duro! Ele tinha confiado os seus animais a uma das famílias, sua parente.
Os
primeiros nómadas que descobrimos não estavam disponíveis para nos guiar. Estávamos em Fevereiro e os dromedários tinham crias acabadas de nascer que mal se aguentavam nas patas, e eles não queriam abandoná-las.
Finalmente conhecemos um nómada que se dispôs a acompanhar-nos com dois dromedários, e marcámos en
contro para o dia seguinte à tarde. Ele ainda teria de percorrer várias horas a pé até ao local onde queríamos iniciar a caminhada.
O itinerário atravessa zonas rochosas com vales brandos cobertos de areia e de estepe, pequenas dunas com áreas de terra e inúmeros tufos de gramíneas, de giesta e de raros tamarindos raquíticos qu
e resistem solitários.
Notam-se os vestígios da água no centro destes vales pela diferença de coloração e pela vegetação mais densa. Em Janeiro caem chuvas torrenciais que formam verdadeiras torrentes no deserto e isso
está marcado nas longas lajes de rocha que foram postas a descoberto pelas águas.
Passámos alguns túmulos de nómadas construídos de pedra solta, únicos vestígios da sua existência milenar nesta região.
Atravessámos uma zona incrível que parecia uma imensa “floresta” de enor
mes monólitos desmoronados que se elevam acima de uma areia fina de cor laranja, criando a sensação de percorrermos as ruínas de uma cidade perdida!
A paisagem é muito insólita e cativante por que a tod
o o momento julgamos reconhecer formas de edificações. Ao longe estende-se um mar de elevadas dunas que se tornam alaranjadas no fim do dia.
O espec
táculo à noite, com a luz da lua, é quase irreal e muito belo.
Dormimos
sempre sob as estrelas após um jantar à fogueira. Tínhamos bastante tempo para conversar e os guias touaregues falaram da sua cultura.

Os Touaregues

O chá é uma instituição indissociável do seu quotidian
o. Logo no primeiro dia à chegada a Tripoli notei que na preparação do chá se concentravam sobretudo em criar uma espuma farta sobre a bebida. O chá no norte de África é preparado com uma quantidade exagerada de açúcar que, vertido de certa altura, produz espuma à superfície. Toda a sua preparação obedece a um ritual rigoroso, e percebe-se que os gestos são automáticos por terem sido repetidos vezes sem conta.
A abundante espuma é sinal de hospitalidade e de amizade. Um c
há servido com pouca espuma é encarado como uma grosseria. O Hassan diz que se lhe servirem um chá com pouca espuma verte-o na areia, por que é uma afronta.
Ria-se e chamava-lhe “le champagne du désert”.

Os touaregues têm um ditado que diz que “o primeiro chá t
em de ser forte como a guerra, o segundo doce como o amor, e o terceiro brando como o espírito”.
Ele contava que, ao contrário da sociedade islâmica, na sociedade touaregue é o homem
quem tapa a cara. O homem tem vergonha de a mostrar, e nem aos filhos o faz.
Come virado para o pano da tenda, de costas viradas para os demais, e só à noite poder
á a sua mulher conseguir enxergar a sua fisionomia.
Hoje este costume já não se aplica com rigor, mas os mais velhos ainda o cumprem na presença de estranh
os.
Perguntei como se reconhecem as pessoas. Diz-me que é através da estatura e das mãos e dos pés! Sem o conjunto da face, os olhos deixam de ser relevantes, além de que muitos usam óculos com armações espessas de massa.
Disse-me que conhece um ancião em Al Awinat que até hoje nunca
alguém lhe viu a cara!
Nesta sociedade a mulher é relativamente livre e tem capacidade de escolha do seu noivo. Poderá conhecê-lo no poço ou nas pastagens, e tem liberdade para conversar c
om ele. No entanto, tem de casar virgem se não o noivo anula o casamento, e a família da noiva tem de indemnizar o seu pai dos gastos do casamento e devolver todo o gado que recebeu como presente.
Os touaregues, um povo tradicionalmente nómada, habita o núcleo central do Sahara ao longo das fronteiras comuns dos Niger, Líbia, Mali e Argélia. Formam
uma comunidade com estreitas afinidade e solidariedade que remonta ao tempo em que a organização política era simplesmente tribal. Possuem uma língua e uma escrita comuns, o tamasheq, e têm liberdade para cruzar fronteiras sem restrições tal como viajavam outrora, sempre em busca de melhores pastagens.
Outrora, a sociedade touaregue compunha-se de nobres, homens livres, artesãos e escravos.
Os homens livres tin
ham os seus rebanhos e detinham património onde se contavam os escravos. Os artesãos trabalhavam o metal e a madeira, e as suas mulheres o couro e os tecidos. Esta classe vivia dependente da família de um homem livre, tal como antigamente os servos da gleba na Europa, mas recebia uma remuneração e gozava tempo de lazer, ao invés do escravo.
O pão touaregue é amassado sem fermento, ao contrário do que já provei noutras paragens do norte de África. A sua preparação é insólita: faz-se uma cova na areia que se enche de brasas, depois de a areia estar bastante quente, retiram-se as brasas e coloca-se a massa que se cobre com areia, e recolocam-se as brasas sobre esta areia. Ao fim de vários minutos o pão está pronto e escova-se a areia!
As tâmaras estão sempre prese
ntes pois são o fruto tradicional dos touaregues. Têm muitas calorias e conservam-se longamente.

Ghat

Ghat foi uma antiga cidade-oásis com grande importância para o comércio caravaneiro, e uma das raras urbes onde se estabeleceram e se sedentarizaram famílias de touaregues. Situa-se na fronteira com a Argélia, defronte de Djanet, num cenário admirável com um mar de enormes dunas a sude
ste, ao longe para leste o maciço de Akakus, e mais ao longe para oeste os montes Tassili n’Ajer na Argélia. Foi uma cidade parceira de Ghadamés como entreposto na rota das caravanas.
Visitei o mercado ao ar livre onde expõem co
merciantes vindos dos vizinhos Niger e Argélia tal como há séculos. No entanto, o tipo de produtos e de bancas não diferem muito dos das nossas feiras de aldeia. Claro que não faltava a banca de cd’s piratas debitando som com grande estrondo.
Fiquei estupefacto com a estatura dos negros desta região, homens e mulheres, altos, esp
adaúdos e elegantes. “São descendentes de antigos escravos”, explica-me o Hassan com simplicidade.
Os artefactos típicos desta região do Sahara são os tapetes touaregues kilims, jóias em prata a destacar os colares e brincos que incluem âmbar, coral, conchas, e os punhais cerim
oniais, roupa tradicional, cerâmica, artigos diversos em couro de dromedário, uma multiplicidade de artefactos usados e algumas interessantes antiguidades.
No estilo de Ghadamés, Ghat também tem uma cidade antiga, construída de adobe e com arq
uitectura de fortificação. Fundada no séc I aC, é um labirinto de vielas cujo urbanismo actual data do séc XII. A sua mesquita foi construída no séc X e tem uma arquitectura africana característica do Sudão. No centro eleva-se um terraço de onde se vigiavam os acessos à cidade, também o local onde se reuniam os notáveis e de onde se dirigiam ao povo.
Dominando-a do alto d
e um promontório situa-se o estreito e pequeno forte otomano, depois italiano. Daqui avistamos o verdejante palmeiral com as suas hortas e os bairros modernos. Dentro da cidade encontram-se algumas lojas de artigos tradicionais e de velharias.

Maciço de Akakus
É conhecido pelos seus enormes promontórios negros que se elevam acima da areia do deserto e pelas inúmeras gravuras e pinturas rupestres. Passámos um dia circulando nos grandes espaços entre rochedos, subindo e descendo dunas, em busca desta arte rupestre protegida pela Unesco e classificada Património Mundial.
As pinturas situam-se em cavernas e concavidades da rocha que os raios solares nunca atingem. Vi pinturas ainda coloridas, nomeadamente de encarnado, com figuras humanas, uma das quais chama-se “O Casamento” por estarem um homem e uma mulher juntos com as mãos tocando-se.
É interessante reparar nos detalhes das cenas de há cerca de 12000 anos quando esta região era arborizada e fértil. Vi gravados na rocha v
acas, girafas, elefantes, dromedários, leopardos, cabras bem como cenas de caça e de guerra, e caracteres tuaregues.

Leptis Magna

Situa-se a 120 km de Tripoli e foi fundada pelos fenícios no séc VII aC. Foi conquistada pelos romanos no séc II aC e viria a tornar-se na maior e mais rica cidade romana em África, o seu porto um dos mais movimentados do Mediterrâneo sul.
Aqui se embarcavam animais exóticos, produtos agrícolas (trigo, azeite), peixe seco e a multiplicidade de
mercadorias que chegavam nas caravanas que atravessavam o deserto, na rota que passava em Ghat e em Ghadames.
Esses tempos de esplendor estão reflectidos na monumentalidade da cidade onde se notam alguns excessos. Achei incrível a quantidade incalculável de arte que esta cidade encerra! Claro que só pude apreciar escultura e cantaria, mas a qualidade e a quantidade das obras são excepcionais. Aliás, falta conhecer o que ainda está soterrado. A
autoria da maioria dos restauros é italiana e pareceram-me adequados, aliás esta arte é originária do seu país.
Admire
i o grande arco de Septimus Severus, quadrangular com quatro passagens, revestido a mármore e muito esculpido, que marca o início da longa avenida ladeada de colunas que conduz ao porto.
Nesse caminho passamos pelos imponentes banhos de Adriano construídos em mármore. São dotados de grandes salões e piscinas, e no exterior abre-se um campo para d
esporto.
Muito próximo situa-se a basílica, um edifício de paredes maciças e intactas com uma envergadura imponente de 90m de comprido, repleto de obras de cantaria em calcário e em mármore que jazem no solo. Apr
eciei os mármores rendilhados com figuras humanas, vegetais e animais, um trabalho delicado que consegue chegar até nós praticamente intacto!
Do lado sul, situa-se o forum de Severo, um largo terreiro lajeado a mármore e cercado de colunas e de inúmeras estátuas. Noutra avenida que parte do arco, a avenida triunfal, passamos pelos arcos de Trajano e de Tibério para chegarmos ao mercado e ao chalcidicum que contém um templo e, mais adiante deparamos com o portão bizantino.
No mercado conservam-se as bancas de peixe com as medidas de comprimento ainda gravadas na pedra! Os poços e os chafarizes têm os bordos muito sulca
dos pelas cordas e pelos fundos das ânforas.
Vi as casas de banho públicas com longas lajes dotadas de orifícios em linha, sem separações ou resguardos, obrigando as pessoas a sentaram-se lado a lado, dando a ideia de que as discussões do forum se prolongavam neste recinto.

Muito perto eleva-se o
teatro com as suas bancadas de calcário para 5000 pessoas e a maioria das colunas ainda erectas.
Passeando à beira mar deparamos com obras de cantaria e colunas dentro de águ
a, cobertas de limos!
No regresso a Tripo
li ainda houve tempo para deambular no souk, o centro comercial tradicional semi-coberto, e para nos sentarmos na esplanada de um café egípcio e puxarmos umas fumaças de um narguilé.

Nota sobre Segurança

Nos tempos que correm não soa muito bem
passar férias na Líbia! Por que decidi então apostar neste destino?
Achei que o País gozaria de uma boa dose de exclusividade por ainda não ser muito procurado. Desde meados dos anos 80 que o País
viveu isolado da comunidade internacional e vigorou um embargo imposto pela ONU até 2006. Neste momento a Líbia está com um desejo enorme de abrir-se ao exterior em todos os campos, incluindo o turismo. Viajar na Líbia é uma experiência idêntica à de viajar-se em Marrocos ou no Egipto, mas com muito menos viajantes!
O País é mais conservador do que estes, vêem-se menos mulheres vestidas à ocidental e quase todas com os cabelos cobertos, mas também vi muitas mulheres conduzindo, até motas.
O álcool é proibido e possuí-lo é crime. Não há bares em Tripoli e a vida nocturna, após o fecho dos cafés, resume-se a circular a pé ou de carro em algumas avenidas exibindo as “máquinas” e os seus ocupantes. Em cada viatura são normalmente do mesmo sexo, excepto quando são casais (na mesma noite
passei por dois Porsche Cayenne!).
Abundam os cartazes de grandes dimensões com o busto de Kaddhafi e o anúncio dos seus 38 anos de chefia do País.
Não discuti política com os líbios pois achei o tema sensível, mas fiz perguntas e tentei perceber o que é o regime de escolha popular inventado por Kaddhafi.
No aeroporto de Sebha havia inscrições propagandístic
as, uma delas dizia “o regime popular de escolha directa aborta a democracia”.
Achei a Líbia tão ou mais segura do que Marrocos e desconfio que a polícia exerce maior controlo sobre a população.
No decurso dos cerca de 2000 km que percorri no País passámos dezenas de postos de controlo onde o nosso motorista tinha de entregar um documento. É uma autorização para empreender a viagem naquele itinerário da qual o guia tirava fotocópias regularmente… Contudo nunca vi um polícia verificar a matrícula das nossas viaturas!
Senti que o regime desconfia dos estrangeiros tomando-os por potenciais espiões.
Os hotéis só me devolveram o passaporte quando os abandonei.
Uma medida inofensiva que a polícia exige foi a de ter de entregar o passaporte a um funcionário da nossa agênci
a local para que o apresentasse no posto de polícia mais próximo no oitavo dia de viagem para verificar o visto.
O responsável desta agência informou-me que eles são responsáveis pela nossa “segurança” em todos os momentos em que permanecemos na Líbia. Por isso, que não poderia permitir o “dia livre em Tripoli” que é hábito no
s programas Rotas do Vento.
Achei Tripoli uma cidade muito pacata e, comparada com Marrakech ou o Cairo, uma aldeia!

28.05.07

terça-feira, abril 24, 2007

Sal e hipertensão


Há um ano medi a tensão arterial num aparelho de farmácia, dos que se mete uma moeda e ele faz tudo, e debita um papel impresso no final.
Assustei-me por que tinha a tensão arterial demasiado elevada!

Pus-me a rever os meus hábitos nos aspectos que os cardiologistas referem como críticos: exercício físico regular, tabaco, sal nos alimentos, colesterol (gorduras), obesidade, antecedentes familiares.
Apurei que o sal deveria ser o responsável, pois no restante estaria melhor colocado que a média da população.

Decisão: eliminei o sal da cozinha em minha casa.

Meses depois percebi que afinal nada havia de errado comigo mas que o aparelho da farmácia é que estava desregulado! Contudo, mantive o hábito de não usar sal na cozinha.

É como deixar de por açúcar no café: a desabituação dura três semanas bebendo um café intragável, depois não se entende como se pode andar a estragar o café com açúcar!

No que respeita ao sal é igual. Os legumes na sopa têm um sabor mais original e são mais gostosos! Relativamente à carne tenho-a condimentado mais com alho e cebola e com molhos, na maioria indianos.
Sábado passado li um artigo no Expresso, “Portugueses estão viciados no sal” de Margarida Cardoso, que não me surpreendeu e que me preocupou: os portugueses consomem o dobro de sal recomendado pela OMS que são 6 gr por pessoa por dia!
Estas conclusões resultam de um estudo, o AMALIA, patrocinado pela DG Saúde, que apurou que o português médio consome 12 gr por dia!

Os especialistas afirmam que a espécie humana necessita de somente 1 gr de sal por dia, e que basta deixarmos de usar sal nas nossas cozinhas para atingirmos os 6 gr por dia. Uma grande parte dos produtos que adquirimos têm um conteúdo excessivo em sal: pão, fumados, queijo, etc, e que até a água gaseificada tem sódio. “O sal é tóxico e cria dependência” afirmam.

No Reino Unido as autoridades já determinaram a redução de 10 a 20% do sal incorporado no pão, e que os efeitos esperados serão uma poupança de 7000 vidas por ano por cada grama de sal que se diminui na alimentação da população.

Elimine o sal da sua cozinha: faz bem e sabe bem…

Foto: Neuza

quinta-feira, março 29, 2007

Micro-finanças


Ontem li um artigo no Herald Tribune que me deixou muito positivamente surpreendido.
Trata-se da existência de uma organização, Kiva.org, com base em São Francisco que constituíu uma rede de relacionamento com dezenas de pequenas organizações locais de auxílio com o propósito de emprestar dinheiro para pequenos negócios.
Em 2006 o Prémio Nobel da Paz foi atribuído a Muhammad Yunus junto com o
banco Grameen de que foi fundador. O seu mérito é ter criado e desenvolvido durante mais de 30 anos a actividade de micro-crédito.
Ela consiste em emprestar pequenas somas de dinheiro a pessoas que nunca conseguiriam obter um empréstimo bancário por não terem garantias a prestar e por que nos seus países os bancos praticam usura.
Ajuda realmente todos os que têm capacidade de iniciativa e que são pessoas válidas com potencial para desenvolver um negócio, criar riqueza e empregar outras pessoas.

Acresce que nas sociedades subdesenvolvidas as mulheres são marginalizadas de forma crónica. Contudo, através desta rede elas são avaliadas com objectividade, o mérito do seu projecto, e tornaram-se em maioria na obtenção de empréstimos.

O genial da ideia é que os milhões de euros de ajuda externa desbaratados através dos canais governamentais corruptos e burocráticos, poderá passar a chegar intacto a quem mais precisa e a quem tem vontade e capacidade para trabalhar.
O sistema kiva.org é muito interessante pois cada pessoa pode enviar uma ajuda tão pequena quanto USD 25. O seu site na internet é claro pois identifica as pessoas necessitadas, o negócio a que se propõem e quanto lhes falta para completar o investimento.
Sempre suspeitei de ONG's desconhecidas e até de algumas conhecidas, mas o autor do artigo no Herald Tribune, Nicholas Kristof, relata como viajou no Paquistão e foi visitar dois comerciantes a quem emprestou dinheiro através de Kiva: um electricista com loja de reparações e um padeiro com forno a lenha. O relato é engraçado e convincente, e demonstra que esta organização é eficaz.
Clique na imagem para visitar kiva.org e contribua para minorar a pobreza no Mundo!

quinta-feira, novembro 30, 2006

Proteger os olhos do monitor

Hoje testei algo que deveria ter realizado há muitos anos!
Alterei as definições dos fundos do meu monitor para cinza claro.
Ao fim do dia sente-se uma diferença enorme, os olhos muito menos contraídos e muito mais descansados.
O trabalho e a nitidez da escrita em nada se alteram mas o monitor perde todo o brilho branco que é agressivo.
Faça as suas alterações em: Control Panel -> Display -> Appearance -> Advanced -> altere Desktop, Window text, Message text, Window, etc.
Simples, barato e com benefícios imensos, sobretudo a longo prazo!

domingo, janeiro 15, 2006

Made in China

Ainda não percebi muito bem toda esta preocupação com os produtos asiáticos, nomeadamente chineses.
O fenómeno não é recente.
Há muitos anos que utilizamos, calçamos e vestimos artigos de marcas conhecidas feitos na China. Temos pago muito dinheiro só por lhes serem cosidas na Europa uma etiqueta a dizer Nike, The North Face, etc.
As calculadoras e muitos outros artigos informáticos e electrónicos aparecem na Europa a dizer HP, Canon e IBM e atrás "Made in China" ou Taiwan ou South Korea...
As minhas tendas The North Face são feitas na China e custam na Europa Eur 600! As mesmas tendas marca Ozark (o fabricante chinês) custam Eur 200!
As referidas tendas fabricadas na China não tiram trabalho a algum europeu ou americano pois já cá não são fabricadas há muitos anos.

Por que não hei-de comprar um guarda chuva na loja chinesa por Eur 8. em vez de pagar Eur 20 ou 30 no Chiado?
Já é tempo de pagarmos a mesma qualidade, sem a marca conhecida, por uma fracção do preço.

Em contrapartida, eu não preciso de uma chave de parafusos do melhor aço alemão por Eur 6. Para a quantidade de vezes que utilizo uma, a chinesa a 75 cêntimos basta-me muito bem!
A questão das condições de vida dos operários ou dos presidiários que são forçados a trabalhar é outra questão, que não é económica. É uma questão social e política, que tem a ver com os direitos humanos da sociedade chinesa na globalidade e que deve ser abordada noutro contexto.
Em paralelo, também pergunto: por que são as máquinas fotográficas Nikon (japonesas, não chinesas) muito mais baratas nos EUA do que na Europa?!

E por que compramos carros muito mais caros em Portugal do que noutros países europeus? Um VW, alemão, custa muito menos em França do que em Portugal...
Em conclusão: o dinheiro dos nossos impostos indirectos alimenta e subsidia muita gente e permite muitos gastos (estádios?) absolutamente supérfluos e dispensáveis. Já não refiro os subsídios às agriculturas europeia e americanas...

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Fumar nos Restaurantes?

A partir do próximo primeiro de Janeiro deixa de se poder fumar em restaurantes e bares de Espanha.
Em Portugal, essa medida tarda inexplicavelmente!
Por cá, continuamos a arriscar-nos a jantar num restaurante com os parceiros da mesa ao lado a fumar e a nuvem a deslocar-se na nossa direcção. Às vezes, pior do que isso: são os próprios convivas na nossa mesa que o fazem.
A falta de civismo da maioria leva-os a perguntar-nos se o fumo incomoda sabendo de antemão que os visados não são capazes de dizer que "sim, que incomoda"!
O hábito está tão impregnado nos nossos costumes que se sente como que uma imposição, como um direito inalienável do fumador, sem direito a contestação.
Uma vez almoçava num pequeno restaurante onde estava afixado um cartaz anunciando a proibição de fumar. Duas empregadas, na hora do seu almoço, sentaram-se a uma mesa e puxaram dos cigarros. Não me lembro bem, mas penso que já teriam acendido os cigarros, quando perguntaram aos restantes se incomodavam... Disse-lhes que "sim, que incomodavam" e que nem sequer estavam a respeitar o que o gerente do restaurante tinha estipulado. E, mais: havia outra pessoa que também já tinha acendido o cigarro por se achar nesse direito, oportunisticamente! Ficaram atónitas e algo indignadas com tamanha irreverência e desafio meus. Acabaram a fumar encostadas à porta da rua.
Como em qualquer sociedade civilizada, temos de ter a possibilidade de livre escolha. No regime vigente, não temos. Os proprietários dos restaurantes confiam na tolerância sacrificada dos não-fumadores a fim de não perderem clientela. Assim, sabem que servem uns e que os outros se submetem por não terem alternativa, e vão deixando andar...
É urgente que o Governo intervenha em mais um status quo arcaico e retrógrado!

segunda-feira, dezembro 26, 2005

O que é aquele objecto debaixo da ponte?


Quem o concebeu?
Para que serve?
Quem decidiu que ele era necessário?
Quanto custou e quem o pagou? Com que dinheiro?

terça-feira, outubro 18, 2005

Bonita Ética!

Em 1992, ano da fundação de Rotas do Vento, comecei a planear itinerários a pé em Portugal para criar um programa de passeios de fim de semana. Da Costa Vicentina e Mértola, passando pela Lousã e serra de São Mamede ao Gerês e Montesinho, criei uma interessante rede de programas pedestres em vários pontos do País. Os nossos clientes tinham assim uma forma de se manterem activos durante todo o ano e de conhecerem regiões pitorescas do território.
Cada programa tinha um guia associado pois pretendia-se que essa pessoa estivesse à vontade nesses itinerários e serras, e criasse um relacionamento com as pessoas que aí habitavam ou prestavam serviço.
Tínhamos vários guias, a maioria de Lisboa e arredores, e nos passeios do norte empregávamos o João Soares que morava no Porto. Com ele planeei passeios no Gerês, Montesinho e Douro a partir de 1994. Mais tarde, lá para 2000, passou a guiar a Lousã e a serra da Estrela.
Reconheço que o fez com competência mas, chegamos ao final de 2003 e o João anuncia-me que deixa de guiar para nós e que vai fundar a sua empresa de passeios a pé.
O que mais tarde vim a saber foi que esta pessoa e a sua companheira andaram descaradamente, durante pelo menos três anos, a planear o “golpe” e a coleccionar os contactos dos nossos clientes.
E passaram a propor alegremente os seus serviços aos nossos clientes, os clientes Rotas do Vento!

Que gente honrada, e que bonita ética...!!

quinta-feira, outubro 06, 2005

Em Caso de Emergência

O East Anglian Ambulance NHS Trust criou um sistema original de apoio às vítimas em caso de acidente. Os socorristas recorrerão ao telemóvel da vítima para a/o conseguir identificar. Pode tornar o trabalho dos para-médicos mais fácil usando uma ideia simples ao adoptar ICE.
ICE significa In Case of Emergency.
Se você acrescentar na lista de contactos do seu telemóvel ICE, com o número da pessoa que deve ser contactada, In Case of Emergency, você não só poupa imenso tempo aos socorristas como tem os seus familiares a par da situação imediatamente.
Adicione ICE à sua lista de contactos, Já!

Por favor passe esta informação.

terça-feira, outubro 04, 2005

Torrada sem Manteiga

Um senhor entra num café. Senta-se, o empregado atende-o e ele pede: "Por favor, um galão e uma torrada sem manteiga".
O criado vai à cozinha e regressa pouco depois desculpando-se: "Peço imensa desculpa, mas já não temos manteiga. Pode ser uma torrada sem margarina?"

segunda-feira, setembro 05, 2005

Taxas nos Parques?

Ontem realizámos um passeio no Douro Internacional sem pagar a taxa exigida pelo ICN.
Fizémo-lo ilegalmente? Não!
O nosso grupo percorreu simplesmente a margem espanhola no Parque Natural de Arribes del Duero exactamente na mesma extensão do passeio inicial. O prazer foi o mesmo, ou até superior, mas custou mais barato.
Os espanhóis incentivam a frequência nos seus parques e apresentam restrições razoáveis:
"En los Espacios Naturales Protegidos y con carácter general, no están permitidos:
- Circular con vehículos fuera de las carreteras y pistas señalizadas para tal fin.

- La caza, la pesca y las actividades conocidas como de supervivencia.
- La práctica de deportes motorizados.
- La acampada libre.
- Recoger, arrancar o maltratar rocas, minerales, plantas, animales o cualquier otro elemento natural.

- Hacer fuego, excepto en los lugares expresamente habilitados para tal fin.
- Introducir y conducir sueltos perros u otros animales domésticos.
- Utlizar detergentes o lejías.
- Abandonar, depositar y arrojar papeles, botes, botellas, plásticos, basuras o deshechos de cualquier tipo, fuera de los lugares específicamente indicados y preparados a tal efecto."

Apesar da existência de aves tão espantosas como abutres, águias e até cegonhas negras nas arribas, não existem proibições ao montanhismo ou escalada, como é tão vulgar em Portugal!


Leia as razões
por que não concordamos com a imposição de taxas para frequentarmos espaços naturais.

PS: Gostaria de realçar um trecho curioso na introdução da declaração do Parque Natural de Arribes del Duero: "Arribes del Duero, situados en el límite occidental de la región, a caballo entre Zamora y Salamanca, conforman una parte de lo que tradicionalmente se ha conocido como la raya con Portugal, lugar de frontera en el pasado y de encuentro en la actualidad."
Foto: Alberto Teixeira

sábado, julho 02, 2005

Um curioso estudo

Sguedno um etsduo da Uinvesriadde de Cmabgirde, a oderm das lertas nas pavralas não tem ipmortnacia qsuae nnhuema. O que ipmrtoa é que a prmiiera e a utlima lreta etsajem no lcoal cetro. De rseto, pdoe ler tduo sem gardnes dfiilcuddaes... Itso é prouqe o crebéro lê as pavralas cmoo um tdoo e nao lreta por lerta.

quinta-feira, junho 23, 2005

Radares na Via Verde

Em Junho de 2005 recebi um email:
"Foram hoje (01/06/2005) inaugurados, os radares de controlo de velocidade, em todas as entradas das vias verdes. Não esquecer que o limite de velocidade é 60!!!

Senão... carta apreendida e 150.00 euros."
Como desconfio de quase todas as mensagens que circulam na internet carregadas de endereços interpelei a Brisa que respondeu em 23.06.05:
"Exmo Senhor,
Em resposta ao seu e-mail, cumpre-nos esclarecer que a Brisa e a Via Verde Portugal não têm radares instalados nas portagens, nem têm competência para exercer uma actividade de fiscalização do trânsito. Apenas as autoridades de viação e trânsito, nomeadamente a Brigada de Trânsito da GNR, têm competência legal de fiscalização e só estas autoridades têm e podem usar radares. A noticia segundo a qual terão sido inaugurados os radares de controlo de velocidade em todas as vias verdes é, por isso, um boato destituído de qualquer fundamento. Esperando ter contribuído para o esclarecimento de V.Exa., apresentamos os melhores cumprimentos,
Gabinete de Marketing e Imagem Institucionais, contacto@brisa.pt"

sexta-feira, maio 13, 2005

Piloto machista

Um parapentista chega a casa de madrugada depois de uma noite de copos. A mulher que ficara acordada à sua espera desata à vassourada.
Esquivando-se algo cambaleante, o nosso piloto machista comenta: "Quê?! Ainda em limpezas a esta hora ou vais voar?"

segunda-feira, abril 18, 2005

Teste de Alcoolémia

A sinistralidade na estrada é um fenómeno grave que todos temos de combater. Concordo que se introduza nova legislação no código da estrada mais restritiva e mais penalizadora.
Contudo, e infelizmente, as autoridades concentram-se na penalização e há aspectos de prevenção que são descurados. Por mais de uma vez, recentemente, indaguei em bombas de gasolina e em farmácias sobre se vendiam testes de alcoolémia, sem sucesso. Em tempos comprei uns testes de um modelo muito simples que custavam cerca de Eur 1. cada numa bomba de gasolina.
Desejo poder fazer o meu controlo para decidir se estou ou não em condições de conduzir em segurança. Toda a gente que conduz deveria ter este teste no seu carro para o fazer. Fornecê-lo ao comércio a baixo custo e divulgar a sua existência a nível global é um serviço muito mais útil para os cidadãos do que meramente enviar polícias para a estrada para verificar o nível de alcoolémia dos condutores.

quinta-feira, setembro 09, 2004

Kayak na Gronelândia












Regressei da Gronelândia há dias com a memória a transbordar com uma experiência incrível.
15 dias de kayak itinerante nos fiordes, alguns com inúmeros icebergs a vogar, com um animado grupo de 11 espanhóis, 2 italianos e 1 português (além de mim).
Paisagens magníficas, silêncio total, excepto o vento e a água a bater nas rochas ou nas praias, e o desmoronar esporádico de um iceberg.
Não encontrámos mais alguém excepto 1 família de inuit (esquimós) que esfolavam uma foca e outro que também tinha caçado uma foca.
A temperatura variou entre 24 e 15 de dia, e baixou para os 5-10 à noite.
Tb fizémos caminhadas nos montes salpicados de lagos e de flores onde as renas, as raposas e as lebres deambulam (vi uma rena albina). Pescámos peixes e mexilhão, de que fizemos sopa e arroz, comemos foca e baleia, colhemos mirtilhos, acampámos sempre nas margens, fizemos fogueiras e vimos magníficas auroras boreais.
Numa quinta isolada onde acampámos vários inuit colhiam batatas e desafiaram-nos para um jogo de futebol que foi muito disputado e gozado. Ganhámos 8-2.
Acampámos 3 dias junto á calote polar que é um mar impressionante de gelo donde se destacam todos os dias vários grandes blocos que caem no mar.
No fim é duro regressar e voltar a ouvir os automóveis e as televisões...

domingo, abril 18, 2004

A vida de Parapentista

Um parapentista chegou uma vez muito tarde a casa. A sua mulher estava extremamente preocupada e chateada sem saber a razão de tal atraso. Ele explicou o que lhe tinha acontecido quando vinha a caminho de casa:
"Eu vim da montanha e estava conduzindo a caminho de casa, quando vi um carro parado junto à berma. Uma rapariga muito gira estava a tentar mudar um pneu, e então eu parei para ajuda-la. O pneu de socorro da miúda não estava em boas condições e eu quis certificar-me que ela chegaria a casa em segurança, então fui atrás dela. Ao chegar a casa, ela convidou-me para tomar um copo como agradecimento. Uma coisa levou a outra e quando eu dei por mim desculpa querida mas foi mais forte que eu e fomos parar à cama."
"Quando reparei nas horas, saí a correr, pus-me no carro e apressei-me a chegar a casa. Desculpa o atraso querida!"
"Não me mintas seu cabrão!" - disse a mulher. "Tu ficaste e fizeste mais um voo não foi?"

sábado, março 06, 2004

Mudemos a estratégia

Um cego sentado na calçada, com um boné a seus pés e um pedaço de madeira escrito com giz branco: "Por favor, ajude-me, sou cego".
Um publicitário da área de criação que passava parou e viu umas poucas moedas no seu boné.
Sem pedir licença, pegou o cartaz, virou-o, pegou no giz e escreveu outro anúncio. Voltou a colocar o pedaço de madeira aos pés do cego e foi-se embora.
Pela tarde o publicitário voltou a passar frente ao cego que pedia esmola. Agora, o seu boné estava cheio de notas e moedas.
O cego reconheceu os passos e perguntou-lhe se havia sido ele. O publicitário respondeu: "Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio, mas com outras palavras". Sorriu e continuou seu caminho. O cego nunca soube, mas seu novo cartaz dizia:
"Hoje é Primavera, e não posso vê-la".
Mudemos a estratégia quando não nos acontece alguma coisa...

terça-feira, agosto 13, 2002

Actividades Gonçalo Velez


Gonçalo Velez

Address: R Domingos Sequeira 27 6-A
1350-119 Lisboa, Portugal,
tel 213 950 035
, fax 213 950 037,
email

Climbing Curriculum



1983
- Rock climbing initiation,

1985
- Mont Blanc du Tacul (4248m), France, normal route,
- Aiguille du Midi (3800m), France, Cosmiques ridge,
- Mont Blanc (4810m), France, traverse Goûter to Midi,

1986
- Les Courtes (3856m), France, SE face,
- Aiguille du Midi (3800m), France, Frendo spur,

1987
- Ski mountaineering to Vallot hut (4362m), France,

- Zinalrothorn (4221m), Switzerland, SW face,
- Aig Bionnassay (4052m), France, NW face,
- Mont Blanc (4810m), France, through Aig Bionnassay,


1988
- Ski touring Chamonix-Zermatt, France-Switzerland, by Ottema glacier,
- Mont Blanc (4810m), Italy-France, Aiguilles Grises route,

1989
- Ski touring on the 4000ers of Zermatt with ascent of Breithorn (4159m), Pollux (4092m), Castor (4228m), Signalkuppe (4554m), Zumsteinspitze (4452m), Parrotspitze (4432m) and Dufourspitze (4634m),
- Aig d’Argentière (3900m), France, north face,
- Aiguille du Chardonnet (3824m), France, Migot
spur,

- Aiguille sans Nom (3982m), France, from Charpoua, attempt to 3900m before getting lost,
- Mont Blanc (4810m), Italy-France, Jaccoux-Domenech spur,

1990
- Mont Blanc (4810m)
on skis, France, by Grands Montets,

- Les Trois Cols on skis, Mont Blanc massif,
- Pik Petrovski (4800m) (p), Tadjikistan,
- Pik Vorobyovski (5500m), climbed to 5100m, Tadjikistan,

- Pik of Four (6229m) (p), Tadjikistan,
- Pik Korjenyevska (7104m) (p), Tadjikistan (first Portuguese 7000'er),

1991
- Annapurna I (8091m) (p), Nepal, Oct 23, Sep/Oct, south face, Bonington route (first Portuguese 8000'er),

1995
- Kilimanjaro (5896m), Tanzania, Dec/Jan, Machame route,

1997
- Cho Oyu (820
2m), Tibet, Sep/Oct, normal route,

1999
- Mount Toubkal (4167m), Morocco, Imlil-Imlil in 12h,

- Shishapangma (8012m), Tibet, Sep/Oct, south face, Slovenian route, reached 6700m before snow fell consecutively for 72h, High Mountain Info May 00,

2000
- Lhotse (8516m), Nepal, SW face, Apr/May, reached the end of the couloir, 8400m?, solo and on 40cm deep snow before a storm induced me to descend,
my short report at Everest news.com,

2001
- Kangchenjunga (8586m) (p), Nepal, May 15, SW face, W ridge, Apr/May,
my report at Everest news.com, some photos,
- Mount M'Goun (4068m), Morocco, Oct.

2002
- Island Peak (6189), Nepal, normal route, Apr, as acclimatization for:
- Makalu (8470m) (p), Nepal, NW ridge through Makalu La, May 16, Apr/May,
my report at Everest news.com, Alpine Club newsletter Jan 03.

2007
-
Manaslu (8163m), Nepal, Sep 2007, reached 7200m before the weather turned nasty with too much snow and wind,
- XCeará, Brasil, paragliding cross country competition, one 300 km flight on 15.11.07.

Note: All climbs oxygenless.

(p) first Portuguese climb.

Other Data

Profession: Economist, by Universidade Católica Portuguesa (1983),

Occupation: Founder and managing director of Rotas do Vento, the leading Portuguese adventure and trekking travel agency, frequent guiding the agency’s groups, reconnaissance of practically all the itineraries sold by the agency in Portugal and abroad (http://www.rotasdovento.com/),

Other activities: competition and cross country paragliding, cycling, swimming, jogging,

Other interests: Art, literature, music, photography,

Other skills: coastal navigation master certificate and coastal sailing experience, jungle survival course (Malaysia),

Affiliation: ADA Desnível (Portugal), AVLS (Portugal), Clube Vertical (Portugal).

Languages: fluent in Portuguese, French and English, fair command of Spanish.

sexta-feira, junho 21, 2002

Makalu, 8470m


Island Peak
I arrived Kathmandu on Mar 29 minus a 32 kg barrel with food, climbing equipment, medicine and miscellaneous items. My team flew to Lukla on Mar 30 and I stayed to insist with RNP over the recovery of my luggage where I had essential items.
After Asian Trekking assured me that they would take care of the matter I flew on Mar 31 to the Khumbu following the footsteps of my companions whom I met in Thyengboche (3860m), 2 days later. Then we stayed at Dingboche (4300m) and next camped at Island Peak BC at 5200m on Apr 4.
The purpose of our trek was acclimatising for Makalu by climbing Island Peak (6189m).
Next day at 6h we started our climb, the report of which has been written by the late RD Caughron at Everestnews.com.
On the summit we were: Piotr Pustelnik, Ryszard Pavlovski, RD Caughron, Martin Gablik, Jay Sieger, Gonzalo Velez, and the trekker George Natkanski.
The climb is easy upto the 100 mtr final slope that is 45-50º steep with not very consistent snow. We used the fixed rope of a German commercial team to go up and abseiled on the way down.


Makalu BC
We returned to Lukla and on Apr 10 boarded a large Russian helicopter that took us and our luggage to 4750m, one day walk before BC (my lost barrel flying with me!).
Here we met Anna Czervinska, Floriano Castelnuovo and Diego Fregona who had trekked from Tumlingtar and had been intercepted by the maoists on the last village. It seems it was a friendly meet, the trekkers were asked to pay Rs 10,000. (circa Eur 150.) and got a receipt!
BC was installed on Apr 11 at 5600m close to the seracs of the Chago glacier, the puja ceremony done on Apr 12 and a equipment depot with tents, gaz, ropes, stoves, etc was installed the next days at 6000m.
In the first two weeks we enjoyed marvellous weather. After that we started having a mixed pattern of snow and fog some times, windy on other, some days very windy with lenticular clouds on the summits, and calm weather.


Camp 1
C1 was installed by mid April at 6500m needing some 150 mtr of fixed rope on the way up. It is located close to the base of the Makalu La couloir over a plateau formed by the shelf of seracs.
RD Caughron was my climbing companion. We climbed to C1 for the second time on Apr 23.
Next morning we carried ropes and other equipment up the couloir that leads to Makalu La together with the Slovaks Martin and Vlado Strba. Ropes were also being fixed. We were not yet well acclimatised and with the amount of snow that there was we climbed half of it upto 6900m and left all equipment there hanging on a rope. This couloir would be entirely equipped with fixed rope. RD had been talking to me enthusiastically about reaching the Makalu La. We retreated to C1.
Next morning he awoke earlier than usual and convinced me with insistence to carry bivouac equipment because he wanted to place a tent at C2 on Makalu La. That day sherpas from the Spanish and Swiss teams climbed to carry equipment for C2. We followed with the two Slovaks and Anna. By 16h we reached the "rock island" and saw the sherpas descending and commenting that it was still 1h-1h30 to the col and that it would be difficult to reach because there were no ropes in the last 200m. The Slovaks decided to descend because they had no bivy equipment and RD and I were left alone. The two Swiss had left C1 earlier than us and reached C2 at 7400m where they spent the night. The sherpas deposited their loads at the end of the fixed rope.
When RD and I reached the end of the last fixed rope he insisted that we should continue to the Makalu La. However I did not feel confortable with the idea and told him: the snow was not safe on the 45º couloir and there were no more ropes, we did not know the terrain, the difficulties and the distance to C2, we were heavily loaded and tired and the evening was close leaving us not much daylight.
I told him that under these circumstances I did not agree to stay and that I would return to C1. RD agreed with all my points but insisted that he would stay. Although I tried to convince him to descend he kept stubborn and I had no alternative other than leaving him the tent, gaz, stove and pot and slid down the ropes arriving to C1 well into the night.
Next morning Floriano came to my tent by 8h and told me that RD was "dead". The Swiss had found him sitting on a rock in a coma state about 20 mtr above the place where I had left him. RD did not try to dig a platform to set up a tent, his sleeping bag had disappeared, his jacket was open and had bare hands. These facts left us with the suspicion that he may have suffered a heart attack or something similar because RD was a experienced climber. That morning was very windy and nobody planned to climb the couloir. Martin who decided to carry medicines for RD tried to go up but due to the strong winds, snow and some tiredness he gave up. We all abandoned C1 during the morning.


Camp 2
A period of bad weather followed and five days later (May 3) Piotr, Richard, Martin and Darek climbed to C1 and then to Makalu La where they set two tents at C2. Next day they descended and buried RD's body in the snow. A cross with an inscription was left on the site.
We were all very upset with RD's death but decided to proceed our climb because "life must go on". We were not only upset but very puzzled for not knowing the reason why he died.
I climbed next with Jay and we slept at C2 on May 5 completing our acclimatisation. Vlado, Peter and Anna went up the couloir the following morning but found it full of fresh snow and retreated.
A period of bad weather followed and we rested at BC six days. On May 12 the weather become sunny and calm again and our first team went up the mountain: Piotr, Richard, Martin and Darek. Next day a few people went up: Jay, Vlado, Anna, Pasang (Anna's sherpa), four Spanish and a few of their sherpas and me. On May 14 a crowd went up the couloir because the rest of the Spanish and Swiss that remained at BC climbed direct to C2. Our front team rested that day in C2 which means that all western climbers and sherpas that were attempting Makalu were all gathered that night at C2! (Floriano and Peter were not there due to poor health, in fact the Italian had already flown to Kathmandu). C2 is located roughly below Kangchungtse (Makalu II) some 200m N of Makalu La.


Camp 3
The climb to C3 is a 2h traverse about 200m high. C3 is located over rocks on the left bank of Sakyetang glacier that descends from Makalu.
The Spanish set their camp about 200m higher than our 7600m one which we shared with the Swiss. We spent the afternoon chatting, photographing, cooking and persistently enjoying the sun, the view over the summit, Everest, the wonderful ridge over Chomo Lonzo and many others.


Summit
Next morning, May 16, at 3h the Swiss left C3 to the summit. Our team left between 3h30 and 4h30. I left my tent at about 4h and saw lights high up: the Spanish were much advanced and the Swiss followed shortly after them.
After a few hours climbing we all enjoyed the awesome colours of dawn seeing distant summits over a sea of clouds, notably Cho Oyu and Kangchenjunga. There were a few fixed ropes to climb the shelf formed by the upper glacier. These were fixed the previous day by two of the Spanish team sherpas. A few more hours up this glacier took us close to the couloir that leads to the NE summit ridge. There is a icy firn slope at about 40º, delicate to climb with my worn lightweight non-technical ski traverse crampons, before the couloir's rimaye which was easy to climb. The couloir is snowed only in its lower third. Then we diverted to the left (E) into the rock slope. This was the most uncomfortable and slow part of the ascent because it is mostly rock which we have to climb with crampons on.
Two Spanish climbers were resting at the rimaye and did not continue upwards.
Piotr was using oxygen and overtook me at the beginning of the rock section. Higher up we met the four Spanish and the two Swiss descending from the summit.
We used some old ropes hanging in this lower part.
Walking on the summit ridge was wonderful because it is horizontal (low effort) and extremely panoramic to both sides. The summit seemed far but I reached it quickly with a steady pace. To the left there was a tremendous drop down the SE slopes. The wind was strong making the experience less pleasant but conferring it a more radical and challenging feeling.
I approached the characteristical rock that forms the summit passing some delicate short slopes that hang over the N wall. Shortly before the summit I met Piotr (he summited circa 13h30), on his way back, who was happy and we congratulated mutually. I recall replying: "Thanks, but congratulate me at BC…" For me the climb includes returning to BC and I was worried with the descent! Then he tells me: "Don't be too strict in climbing the summit", meaning the tip of the pointed summit cone. Meanwhile, Martin reached us. We said good bye to Piotr and climbed together to the summit at 8470m (Jay says he saw us getting there at 14h40). We were the last to climb the summit in this season.
No great pleasure on the summit due to the strong wind. We stayed a short while to take some photos and returned back down. I was the last person reaching C3 and it was dark (no idea what time, 19h-20h?).
Next day everybody abandoned C3 except Jay and Darek Zaluski who wished to attempt the summit again.
I learned that Richard (Ryszard) had caught laryngitis and had given up the summit attempt.
Darek and Jay attempted the summit on May 18. Jay felt too tired and came back to C3. Darek had reached 8200m when the weather deteriorated and he decided it was best to retreat.
Next day (May 20) both descended to C1 where Jay was very slow and had great difficulty in reaching the camp. Our doctor went to C1 and followed Jay's condition during the night.
All reached BC the following day. Jay seemed moderately recovered but had a few frostbitten fingertips.
A memorial plaque in honour of RD was fastened to a predominant boulder at BC.
BC was abandoned on May 21 and we were flown to Kathmandu on May 23 from 4750m.


Short conclusion
I am surprised that on my return to Lisbon I feel much better physically and stronger than when I left it. I must have recovered quickly. I think that profuse hydration after summiting is the key. After the summit I spent the morning at C1 just brewing and drinking. During the 3h that lasted the operation I must have had 3 urines the last being close to transparent which reassured me greatly.
As for brain cells destruction I don't feel a great difference in memory. During summit day I felt always lucid. I think that you start having problems of any kind when you become extremely dehydrated.
Save for RD's unfortunate passing away Makalu was a great experience and a very interesting challenge on a great and prestigious mountain.
Gonçalo Velez
21.06.02

quarta-feira, março 27, 2002

Vulcões e Selva Tropical, Costa Rica



A Costa Rica é um dos países do Planeta que goza da mais espantosa biodiversidade, tanto vegetal como animal, e deixa qualquer viajante impressionado. Os dados referentes ao número de espécies existentes são incríveis: 850 espécies de aves, muito mais do que em toda a Europa ou toda a América do norte! Por isso, o interesse desta viagem reside na Natureza que iremos apreciar em diversos parques e reservas acompanhados de um guia naturalista. Ele explicar-nos-á os hábitos dos diversos animais e a razão de ser de algumas das suas especificidades relacionadas com o esforço de sobrevivência. Falar-nos-á das plantas e das características de cada tipo de floresta e de como aquelas interagem. Ele sabe inclusive imitar o canto de várias aves ou o som de mamíferos para os chamar ou espevitar enquanto os observamos.
O Parque Natural de Santa Elena é constituído por uma densa floresta secundária de montanha (cloudforest) que está permanentemente húmida devido à presença de uma nuvem que a envolve. A exuberância e o viço da vegetação são extraordinários: foram detectadas aqui mais de 2500 espécies de vegetais das quais inúmeras orquídeas e bromelíadas (foram registadas no País 1200 espécies de orquídeas!). As árvores estão carregadas de plantas epífetas que brotam do tronco e dos ramos, a destacar musgos, lianas, fetos e vinhas.
Avistaram-se no parque cem espécies de mamíferos entre os quais ocelotes, jaguares e macacos, bem como quatrocentas espécies diferentes de aves, entre as quais a mais famosa, o quetzal, que os costa-riquenhos consideram a ave mais bonita do mundo.
Aqui fiz um percurso muito interessante num sistema de pontes suspensas ao nível da copa das árvores da floresta para observar a vegetação e a fauna tomando conhecimento de um mundo desconhecido e que habitualmente não está ao nosso alcance. Gostei bastante de apreciar a floresta do alto e ver o que se passa no topo das árvores. Observei aves, esquilos, borboletas, insectos e macacos. A mais longa das plataformas tem 200 metros de comprido e 42 metros de altura!
O parque nacional Rincón de la Vieja, a norte perto do Pacífico, é dominado por uma longa cadeia de montanhas que se elevam sobre a floresta húmida. Aqui observa-se uma curiosa actividade vulcânica pois no parque existem dois vulcões, o adormecido Santa Maria e o moderadamente activo Rincón de la Vieja. Por isso, há várias fumarolas e piscinas de lama e água em ebulição que vamos descobrindo ao longo da caminhada. O cheiro a enxofre no ar anuncia-nos a proximidade dessas fendas.
Observei longamente um grupo de macacos que se deslocava saltando de umas árvores para outras. Todos tinham uma agilidade equivalente excepto os mais pequenos que seguiam no final por serem mais lentos e mais prudentes.
Há animais que nunca imaginei que subissem às árvores e surpreendeu-me ver um coati (pizote), um roedor do tamanho de uma raposa, à procura de alimento no meio das ramagens. Mais tarde veria também um papa-formigas dormindo no cimo de uma palmeira (a sua actividade é nocturna), bem como diversos grandes iguanas imóveis ao sol sobre as copas de árvores. Presumo que, nos milénios da sua evolução, este foi o artifício que encontraram para escapar aos predadores.
A Reserva da Floresta Primária Laguna del Lagarto situa-se em Boca Tapada no centro do País, perto da fronteira da Nicarágua. A nossa estalagem situa-se no meio da floresta chuvosa secundária (rainforest). A diversidade de fauna é admirável e poderemos encontrar mais de 350 espécies de aves entre os quais a rara grande-arara-verde, em vias de extinção, tucanos, abutres, papagaios, colibris, rãs dardo vermelhas e verdes, macacos, morcegos, papa formigas e inúmeras belas borboletas. À hora do pequeno almoço içam um cacho de bananas defronte da sala de jantar que é um bom chamariz para as mais diversas aves que aí acorrem e que disputam o alimento. A variedade de pássaros é grande e o espectáculo muito interessante, colorido e divertido.
Outro dos costumes nesta estalagem é darem de comer aos caimãs na lagoa antes do crepúsculo. Depois instala-se uma intensa sinfonia na floresta com todos os animais nocturnos a iniciarem a sua actividade e a produzirem os seus sons.
Além da Natureza exuberante que é o seu principal atractivo, a Costa Rica tem uma considerável actividade vulcânica que fascina a maioria dos viajantes. Fortuna é a aldeia privilegiada para se observar o vulcão Arenal pois está muito próxima. Ele tem uma elegante forma de cone, é activo e periodicamente produz explosões que expelem fumo, cinzas e rochas para o ar. Por isso não é permitido escalá-lo. Contentei-me em subir através de densa floresta ao Cerro Chato, um vulcão inactivo cuja cratera forma uma bonita lagoa rodeada de vegetação.
A experiência mais interessante que tive foi na Barra del Colorado. Navegámos 140 km no rio San Juan que faz a fronteira nordeste com a Nicarágua e que desemboca no mar das Caraíbas. Durante a nossa viagem observámos vários crocodilos em repouso, tartarugas e muitas aves lacustres, uma grande parte sendo pernaltas. Apesar da existência daqueles répteis vi diversas crianças a banharem-se tranquilamente nas margens e um grupo de rapazes a vogar animadamente sobre câmaras de ar.
Chegámos a um albergue no meio de uma estreita península onde, nas suas traseiras, se alongam quilómetros de praia deserta com coqueiros no mar das Caraíbas. O local não é habitado e não havia vivalma muitos quilómetros em redor. Paradisíaco!
Aqui fiz uma excursão de piroga à noite para observar fauna que foi a actividade mais curiosa e divertida que realizei. Navegámos junto às ramagens que pendiam sobre a água do rio que o guia perscrutava com uma lanterna. Foi muito aliciante pois deslizávamos debaixo das ramagens e aproximávamo-nos dos animais. Eles, dormindo, não reagiam! Fomos observando diversas aves de vários tamanhos. Vimos vários iguanas machos e fêmeas equilibrados nos ramos, bem como basiliscos, os lagartos que correm na superfície da água. Nas zonas menos profundas encontrámos dois caimãs repousando com os olhos e focinho à superfície. À excepção de uma ave e de um caimã que acordaram e se escapuliram, os restantes suportavam imperturbáveis o foco das lanternas bem como o clarão do meu flash.
No dia seguinte fizemos um passeio a pé na floresta. Caminhávamos em silêncio com o guia muito atento à frente. Vimos várias pequenas rãs dardo vermelhas, uma preguiça, abutres e diversas aves muito coloridas. As rãs dardo chamam-se assim pois segregam uma substância que os índios usam para envenenar as suas flechas. A preguiça é um mamífero curioso pois move-se muito lentamente e vive agarrado aos ramos das árvores e come folhas. O guia emitia um som que a fazia olhar em várias direcções com curiosidade.
O Parque Nacional Manuel Antonio situa-se na costa do Pacífico e possui um sistema de caminhos que cruzam a floresta tropical e que dão acesso a longas praias brancas com coqueiros e a um mar azul marinho com paisagens paradisíacas. Esta floresta contém 100 espécies diferentes de mamíferos e 180 espécies de aves. A observação mais aliciante que fiz nesta viagem foi a de uma boa constritora com dois metros e meio que se deslocava vagarosamente por entre a folhagem. O seu nome deve-se ao facto de ela estrangular as suas presas com o corpo e de lhes quebrar a coluna vertebral. O guia explicava-me que ela não é venenosa mas para eu não me aproximar muito pois ela morde.
Descemos à praia e de caminho víamos macacos pendurados nas árvores. Tínhamos de caminhar com cuidado pois às vezes havia filas de formigas carregando grandes pedaços de folhas atravessando o carreiro. As suas tocas são uns montes de dimensão considerável e dizem-me que aí podem habitar alguns milhões de seres. Na costa os iguanas descem à areia e não se impressionam com a presença das pessoas. São uma companhia engraçada e têm um olhar meio desconfiado, parecendo ser muito pachorrentos.
Mais endiabrados são os mapache (raccoon): vi um grupo de três descer à praia e dirigirem-se a uns sacos cujas donas se banhavam. Abriram-nos, retiraram os pic nics e fugiram de volta ao arvoredo. Depois lutaram entre si pois não tencionavam dividir o saque.


Gonçalo Velez
Março 2002

terça-feira, junho 05, 2001

Do Cairo a Palmira, Egipto, Jordânia e Síria

A península do Sinai é uma região milenar de movimentos de peregrinação na direcção da Terra Santa no qual o monte Sinai (jebel Musa, 2285m) representa uma referência importante.
A sua ascensão é realizada em carreiros suaves durante a madrugada e fiquei surpreso de ver dezenas de camelos transportando peregrinos de todas as idades até perto do cume. Outros tinham feito a ascensão na véspera e dormiam em saco cama à espera do nascer do dia. Mal o sol despontou aglomeraram-se sobre os diversos rochedos apreciando a forte luminosidade. Havia grupos de igreja provindos dos vários continentes, inclusive um japonês, chefiados por párocos que recitavam orações com grande devoção.
Visitei o mosteiro de Santa Catarina, situado na base do monte Sinai, que é um oásis de religiosidade cristã nesta vasta região desértica. Este mosteiro foi fundado no séc IV pela imperatriz bizantina Helena e tem sido ocupado por monges ortodoxos gregos. Está rodeado por uma elevada muralha que servia de protecção dos residentes e dos peregrinos que aí repousavam. A antiguidade dos objectos que se encontram dentro da igreja deixou-me surpreendido. Gostei particularmente dos enormes e pesados queimadores de incenso que pendem do tecto e dos inúmeros ícones que forram as paredes. A maioria dos visitantes arranca uma folha de um arbusto situado detrás da igreja que se supõe ser aquele que Moisés viu incendiar-se.
No caminho para o desfiladeiro Branco visitei um rochedo com inscrições de várias épocas e alfabetos realizadas por peregrinos que atravessavam as montanhas desérticas.
Apreciei o interior serpenteante do desfiladeiro e as suas interessantes formas arredondadas provocadas pela erosão da água ao longo de milénios. Ele desemboca num vale onde se situa o esplêndido e muito encantador oásis Ein Rhodra. Este oásis possui nascentes que permitem encher tanques de água cristalina e irrigar o arvoredo em redor. Aqui habitam três famílias de beduínos que dão guarida a todos os viajantes que passam. Dormi sob as estrelas e acordei com o agradável chilrear de múltiplas aves que saltitavam à minha volta.
Atravessámos o Sinai fora de estrada e descemos um longo desfiladeiro que desemboca na longa praia Ras Abugalum na margem do mar Vermelho. Aí fiz a travessia, sob as elevadas montanhas costeiras, até à localidade seguinte, num aprazível percurso de poucas horas à beira deste mar verde esmeralda. Passei alguns abrigos de pescadores situados em enseadas e vales pedregosos e segui a margem rochosa que ondula contornando falésias e promontórios.
Atravessei o mar Vermelho para Aqaba e segui para a aldeia de Rum, situada na borda do célebre deserto onde se refugiou Lawrence. Esta região é conhecida pelos seus belíssimos promontórios rochosos, desfiladeiros e a sua areia dourada.
Caminhei por estreitas gargantas onde se avolumam dunas contra as paredes rochosas de elevadas falésias. A superfície da rocha é dotada de esplêndidos padrões criados pela erosão do vento canalizado nestes corredores. Mais à frente desemboca-se num largo vale onde encontrei mulheres nómadas vestidas de preto pastando burros e cabras nas raras giestas. Por perto havia grandes tendas onde habitavam.
Depois continua-se ora por espaços amplos muito panorâmicos, ora por entre uma geografia mineral cheia de curiosas formas onde se incluem curiosos arcos de rocha.
São de intensa beleza o crepúsculo e a alvorada onde os rochedos adquirem tonalidades admiráveis e vão variando consoante a intensidade do sol.
Dormi sempre ao relento apreciando o céu densamente estrelado e a passagem de estrelas cadentes, que deixam um rasto muito luminoso, são muito frequentes.
A fauna é escassa devido ao clima e dizem-me que podem encontrar-se ibex, chacais, cabras selvagens, águias e abutres, e que o gato das areias é estritamente nocturno.
Viajando mais para norte, cheguei à mítica cidade de Petra. No dia seguinte, passei o portão que conduz à garganta Siq às 6h. Atravessando os 1.2 km deste apertado desfiladeiro fui o primeiro a deparar com a impressionante fachada do Tesouro, Al Khazneh, inteiramente esculpido na rocha tal como todos os outros grandiosos monumentos de Petra. O requinte desta arquitectura bizantino-romana deixa-nos maravilhados sobretudo tendo em consideração a dificuldade em conceber estas fachadas escavadas de uma só peça!
Esta foi a fantástica capital do reino nabateu muito rico e poderoso no início da nossa era e que enriqueceu à custa das taxas alfandegárias impostas sobre o comércio de caravanas. Mais tarde viria a ser subjugado pelo império romano (séc II dC).
Subi ao alto do monte Al-Madbah onde se situa o Sacrifício e donde apreciei um largo panorama da geografia da cidade. Esta é composta por uma sucessão de elevadas falésias e promontórios onde a cidade foi escavada. Desci pela outra vertente por uma escadaria escavada na rocha e continuei muito interessado na descoberta dos inúmeros templos, palácios, habitações, túmulos e demais câmaras trogloditas que nos aparecem ao dobrar de cada esquina. Passando a avenida das colunas onde se encontram grandes templos nabateus e bizantinos, subi a longa uma escadaria que conduz ao mosteiro, Al Deir (séc III aC), situado no alto de um monte em local recatado. Esta foi a fachada que mais me atraíu pela sua grandeza e imponência, e também por se encontrar em local tranquilo onde poucos turistas chegam.
No regresso passei pelos túmulos reais, percorri a avenida das fachadas e visitei o grande teatro (séc I dC) ao ar livre com sete mil lugares inteiramente esculpido na rocha!
Depois segui para Kerak onde visitei o seu grandioso e maciço castelo de cruzados construído no séc XII. Situa-se no topo de uma elevada colina e uma das suas muralhas eleva-se a 450m de altura. Passeio pelas suas diversas galerias e câmaras, algumas com inscrições do tempo dos cruzados e do período bizantino, e pelas muralhas donde apreciei um excelente panorama em redor.
Segui para o mar Morto onde caminhei na sua margem. Visitei a igreja ortodoxa de Madaba que alberga um excelente mosaico do séc VI dC e que representa um mapa dos locais bíblicos desde o Líbano ao Egipto. Subi o monte Nebo, do alto do qual supõe-se que Moisés tenha avistado a Terra Prometida. É o local cristão mais venerado da Jordânia. O seu pequeno mosteiro do séc VII contêm amplos e belos mosaicos dessa época onde se observam cenas de trabalho rural com vegetais e animais, muitos já extintos: leões, panteras, ursos e raposas.
Continuando para norte, visitei Jerash, uma muito interessante e bem conservada cidade romana do séc II. O seu teatro está inalterado e o seu fórum mantêm todas as colunas erectas. Passeamos nas suas elegantes avenidas calçadas ladeadas de colunas e visitei o arco triunfal de Adriano, o hipódromo, o grande templo de Zeus, o ninfeu (chafariz), os banhos e muito mais.
Depois atravessamos a fronteira para a Síria, e desviamos para Bosra. Esta vila foi a capital do norte do reino de Petra no séc I dC. Toda a vila está construída sobre edificações romanas e é dominada pela cidadela onde se encontra o teatro, o mais bem preservado de todos os teatros romanos existentes e um dos maiores com os seus 15,000 lugares. Aqui também se encontram os banhos, o ninfeu, as calçadas romanas ladeadas de colunas, etc. Os seus templos são de grande antiguidade tais como a mesquita de Omar (séc VIII), uma das mais antigas no Mundo, o mosteiro do séc IV e a basílica, muito arruinada, do séc VI.
Na antiga Damasco, no interior das espessas muralhas romanas atravessadas por grandes portões, visitamos o interessante Museu Nacional que tem a fachada de um palácio-castelo do deserto do séc VII. As antiguidades que apresenta são imensas e variadas e algumas remontam ao séc XIV aC. Seguimos para a monumental mesquita Omaiada (séc III dC) que é metade mesquita e metade igreja e que por este motivo possui uma interessante história. Aqui se encontra o mausoléu de Saladino, o conquistador egípcio de Damasco (séc XII). Perto visitamos o elegante palácio Azem, a residência do governador otomano. Caminhamos ao longo da rua direita através do curioso bairro cristão visitando as históricas igrejas de São Ananias e de São Paulo. Continuamos para a bonita mesquita Teikieh Suleimanieh (séc XVI) na margem do rio Barada. Ao lado situa-se um antigo caravanserai otomano do séc XVI que é hoje um pitoresco mercado de artesanato.
Chegamos finalmente a Palmira, a célebre cidadela romana fundada no séc II dC, um dos mais ricos e completos locais arqueológicos romanos da actualidade. A cidade foi muito próspera devido ao comércio das caravanas que demandavam o Mediterrâneo provindas da Ásia central, e também por ter sido um importante ponto de defesa do império romano contra o poderio dos persas. Nos seus actuais 50ha, oferece-nos uma grande variedade de interessantes edificações e de arte, a destacar os grandes templos, a longa avenida ladeada de colunas, o grande teatro, o agora ou fórum, as torres funerárias, o arco triunfal, os tetrapilões. Visitamos o museu que apresenta uma excelente colecção de estatuária. Ao longe veremos o enorme castelo árabe do séc XVII no alto de uma colina.
Depois partimos para outro dos grandes monumentos desta viagem: o Krak des Chevaliers.
Esta imponente e massiva fortaleza de cruzados do séc XII tinha um importante papel estratégico no controlo do tráfego entre o Mediterrâneo e o interior do País. O seu estado de conservação é notável e aí se fundem os estilos franco e árabe. Ainda hoje poderemos apreciar os grandes caldeirões donde se vertia o óleo em ebulição sobre o invasor.
Mais locais visitaremos nesta viagem pelo que não é possível descrever com fieldade a enorme riqueza que ela nos irá oferecer.
Acresce que, no seu decurso, houve momentos especiais que me marcaram bastante mas que não correspondem a algum dos grandes atractivos de nome sonante.
Destaco a dormida no oásis de Ein Rhodra. É quase o que vemos nos filmes com a diferença de que este é bem real. Situa-se numa zona muito desértica e agreste, e o bem-estar que senti quando aí cheguei foi marcante. Gostei de dormir ao relento e de acordar à primeira luz com dezenas de aves à minha volta, que não se assustaram com o meu olhar e que observei longamente.
Os longos crepúsculos no Wadi Rum, à beira de uma fogueira, são outros momentos de grandes tranquilidade e beleza que muito apreciei.


Gonçalo Velez
Junho 2001

quarta-feira, maio 30, 2001

Kangchenjunga, 8586m


We finally reached Kathmandu this morning after a whole night of driving, and following a 3 days strike that paralyzed the Country and forced us to vegetate in a lousy hotel somewhere in the SE.
Our expedition to Kangch
enjunga (8586m) was a success with 4 of us on the summit on May 15.

We were initially 8 climbers:
Piotr Pustelnik, 49, Polish, leader, Marty Schmidt, 40, USA, Hector Ponce de Leon, 34, Mexico, Araceli Segarra (f), 32, Spain, Markus Stofer, 34, Swiss, Brian Du
thers, 32, Swiss, RD Caughron, 58, USA, and me, Gonzalo Velez, 42, Portugal, and additionally: Piotr Klepacz, 33, our doctor.
We reached the SW face BC on Apr 12. The view of the mountain was impressi
ve at first sight because it all seemed so complicated due to the wide fractured glaciers that hanged from the "Great Shelf" (7100m) and from the "Hump" (6300m). Camp 1 was installed finally on Apr 21.
Due to the persistent weather difficulties our Camp 2 would be put up by May 2 at 6900 meters. By then Markus had abandoned our expedition because he was not psychologically prepared to the complication of frequently doing the trail and the extension and harshness of the route.

The weather was very difficult because it snowed
every afternoon sometimes about 20cm which caused our trails on the mountain to disappear. We had to do them again anew in the following climb. In addition we were the only team on the mountain.
Later on RD [RD Caughron, 58, USA] also abandoned due to poor health and fear that his heart might "fail" creating us rescue pro
blems.
We left BC on May 8 with the intention to continue to the summit.
On May 10 we were at Camp 2 but did not foresee the fact that we had not yet found a way through the seracs onto the Great Shelf.
On May 11 we tried without
success and on May 12 we found a very simple way through.
On May 13 we traversed the Great Shelf and camped at 7600 meters inside a crevasse! We took 2 tiny tents and slept with a lot of discomfort: Piotr, Brian and me in one, Araceli, Hector and Marty in t
he other.
Next day my group decided to move the tent 200 meters up to 7800 meters and become closer to the summit.
On May 14 Marty left his tent at 23h and passed by ours by 2h. He took a long time due to deep snow. We were also getting prepared and Brian left by 2h30, me and Piotr by 3h (we can't all get ready at the same time in such a small tent designed to 2 persons!).
Hector and Ar
aceli left by this time but unfortunately they could not warm their feet and worried with the consequences decided to descend.
We spent the morning going up the "Gangway", the 45 degrees couloir that leads to the West ridge. By 8h the weather started
deteriorating with the wind intensifying and the visibility decreasing. We then diverted to the normal route couloir but it revealed having too much accumulation of snow. Then we retreated to and climbed the Gangway to its end and followed the West ridge to the summit which we reached by 14h.
We all descended safely although some of us still have some numb toes and fingers.
No serious frostbite occurred.


Gonçalo Velez

Kathmandu, 30.05.01

PS: Only Piotr Pustelnik used oxygen to reach the summi
t.




quinta-feira, abril 05, 2001

Lua de Mel

Na lua de mel diz o noivo para a noiva:
- Querida, tenho um segredo para te contar. É que eu sou daltónico!
- Querido, - diz a noiva - também tenho um segredo para te contar. É que eu não sou sueca, sou cabo-verdiana!

terça-feira, janeiro 09, 2001

Annapurna (8091m), Primeiro 8000 Português














Em 1991 tive o privilégio de me tornar no primeiro português a escalar um cume com mais de 8000m, o Annapurna, subindo por uma via de grande categoria: a via Bonington na face sul.
Digitalizei o relato que fiz para a Grande Reportagem, edição de Dez 1991, que podes ler em ficheiro pdf. Clica aqui, depois clica em "download".

Gonçalo Velez

quinta-feira, março 16, 2000

Patagónia e Terra do Fogo

Cheguei a Puerto Natales numa tranquila e luminosa tarde de primavera. Esta aldeia piscatória chilena da província de Magallanes situa-se no interior de um grande fjord e parece flutuar nas suas águas. Ao longe vêem-se inúmeros cumes rochosos nevados e a ponta de alguns glaciares que flúem para a lagoa.
Daqui parte-se para o parque nacional das Torres del Paine, o que mais me entusiasmou em toda a viagem. No caminho vamos observando bandos de guanacos (espécie de lamas) que são muito dóceis, e flamingos e cisnes nos lagos. A paisagem da Patagónia é uma planície de estepe desértica onde os horizontes são muito vastos, com gargantas cavadas por rios revoltos e elevadas mesetas talhadas pela intempérie. De vez em quando vê-se ao longe um oásis de arvoredo verdejante e percebe-se que aí se situa uma estancia. As estradas são de terra batida e detectam-se outros veículos ao longe pela coluna de poeira que levantam. Os veículos são equipados de uma rede de metal que lhes protege o pára-brisas. Frequentemente detectam-se sobre alguma colina os gaúchos a cavalo que vigiam as ovelhas de pelo longo e espesso.
A flora do parque de Paine é muito variada, florida e colorida em meados de Dezembro. Abundam os lagos, os ribeiros, as torrentes e as cascatas, algumas caem do alto dos rochedos. Há uma grande diversidade de agulhas rochosas e de formações geológicas admiráveis de que destaco as elegantes Torres del Paine, que ilustram a capa do catálogo deste ano, e os formidáveis Cuernos del Paine. A visão destes acompanhar-nos-á durante várias etapas de marcha.
Sempre imaginei que o clima sub-ártico destas paragens deveria ser muito frio. Mas durante a minha estadia gozei sempre de um sol radioso e caminhei em manga curta. Também sabia que as condições meteorológicas poderiam ser radicais e estava curioso em saber de que forma.
Um dia apanhei um vento tão forte como jamais tinha sentido! Caminhava ao longo do lago Nordenskjöld, felizmente com o vento pelas costas, e frequentemente era empurrado (às vezes erguido) para fora do carreiro. O vento levantava as águas da superfície do lago e elevava-as em nuvens que avançavam por terra dentro. Só no intervalo das rajadas era possível fotografar sem tremer, mas mesmo assim tinha de apoiar-me num rochedo.
O lago Grey está situado num sector em que o vento parece nunca abrandar. Tem um refúgio na margem donde apreciamos inúmeros pitorescos icebergs vogando para sotavento. É formado pelas águas do imenso e longo glaciar Grey que flúi para o lago e vai largando grandes blocos de gelo.
Estava apreciando o fim de tarde na margem do lago quando passou uma raposa caminhando tranquilamente mirando em redor.
É aliciante a longa duração dos dias nestas paragens: nesta época o dia dura 18h e o crepúsculo dá-se lá para as 22h! Desta forma os dias longos aproveitam-se muito melhor.
Visitei depois o parque de los Glaciares onde realizei duas etapas de marcha para aproximar-me das várias esplêndidas agulhas dos sectores dos montes Fitz Roy e Cerro Torre que se elevam acima dos seus glaciares. Ambas possuem bonitos lagos de cor verde que são alimentados pelos gelos.
Esta cumeada situa-se no limite do conhecido Hielo Continental de que o glaciar Perito Moreno é uma monstruosa amostra. Iremos até ao mirante donde se aprecia a sua colossal estrutura com mais de sessenta metros de altura e onde poderemos ter a sorte de ver a derrocada de algum grande bloco de gelo que cai na água com estrondo.

A fauna deste parque é variada e vi inúmeros casais de gansos (cauquéns) e de patos, muitos com crias, nos lagos à beira do carreiro. Durante a descida da Laguna de los Tres tive um encontro muito interessante com um grande pica-pau patagónico macho, de cabeça escarlate. Deixou-me observá-lo e fotografá-lo a cinco metros de distância durante o tempo que eu quis enquanto bicava um tronco de árvore tombado à procura de larvas. Também vi alguns majestosos condores planando nos ares em busca de presas.
Acima de tudo, o que mais me surpreendeu na Patagónia foi o céu: vasto e muito luminoso, o ar límpido, as nuvens impelidas pelo vento e em constante mutação dando-lhe múltiplas e curiosas formas.
O voo que nos leva a Ushuaia na Terra do Fogo atravessa um território inóspito e despovoado, com imensas florestas, lagos e montanhas onde se vêem alguns glaciares descendo dos seus flancos.
Esta vila no fim do Mundo está envolta em cumes nevados e é muito panorâmica. O canal Beagle atravessa o continente à sua frente e dá-lhe um amplo desafogo e uma tremenda luminosidade.
Ushuaia começou por ser terra de degredo, cuja penitenciária está transformada em museu. A seguir vieram os pioneiros: madeireiros, mineiros e pescadores. O clima é muito agreste e rigoroso e as comunicações são muito difíceis. Comprei um curioso mapa que assinala os naufrágios naquelas costas desde o séc XVII e os seus ícones contam-se às muitas dezenas. Não é por acaso que os ventos na região são conhecidos por the roaring forties. A vida aqui é muito difícil sobretudo durante o inverno austral.
Naveguei no canal até aos ilhéus que estão a meio e onde existem colónias de lobos marinhos. São várias as dezenas de animais que jazem sobre os rochedos, comprimidos uns contra os outros, normalmente de ventre para o ar. As gaivotas esvoaçam por entre eles à procura de restos de peixe. Às vezes vê-se passar um pinguim nadando, possivelmente migrando para outro ilhéu. Desembarcámos e fomos conhecer alguma da sua interessante flora endémica e estivemos bastante tempo a observar e a fotografar uma colónia de cormorans que nidificam numa falésia ao abrigo do vento.
Percorri o caminho costeiro do parque da Terra del Fuego através de uma Natureza bem conservada e nada perturbada. Passei por curiosas zonas alagadas devido aos diques construídos pelos castores onde muitas árvores foram por eles derrubadas. Numa dessas clareiras estive observando uma enorme colónia de chimangos, uma ave de rapina aparentada à águia, e que também não se perturbaram com a minha presença.
Percorri a pé um bom troço ao longo do rio Lapataia e pude constatar que as aves lacustres abundam em quantidade e em variedade. É um grande prazer ver garças debicando o lodo da margem, bandos de patos levantando voo ou as gaivotas que buscam crustáceos.
Você não poderá abandonar a Argentina sem experimentar o maté. Esta espécie de chá exclusivo do País é preparado em recipientes próprios, normalmente uma cabaça, e sugado por uma palhinha, a bombilla. Tomar um maté é essencialmente participar num ritual social muito enraízado na cultura argentina em que se partilha uma bebida quente e confortante de sabor acre. Se vir as pessoas no autocarro, na praia ou caminhando na rua com um termos na mão saberá que essa água servirá para preparar um maté.

Gonçalo Velez